Novas internações diárias em UTI por Covid em SP sobem quase 70% em 7 dias

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) por Covid-19 no estado de São Paulo aumentaram nos últimos sete dias, reflexo da explosão de casos e aumento da transmissão do vírus após as festas de final de ano.

No dia 3 de janeiro, havia 1.141 pacientes em leitos de UTI no estado de São Paulo, com 468 novos registros naquele dia. Já na última segunda (10), o estado contabilizava 1.567 pacientes internados em leitos de UTI, com 795 novos registros, ou cerca de 69,9% a mais.

O mesmo crescimento foi verificado em algumas das regiões de saúde do estado, sendo a principal delas na região da Grande São Paulo. Enquanto no dia 3 de janeiro 665 pacientes estavam internados em UTI na região metropolitana, na última segunda (10) esse número já era de 896, um aumento de 34,7%. Em relação às novas internações diárias, passou de 255, no dia 3, para 428, no dia 10.

A taxa de ocupação de leitos de UTI também sofreu um aumento nos últimos 14 dias, passando de 22,7% de leitos de UTI em todo o estado, no dia 29 de dezembro, para 35,3% na última segunda, e de 30,2%, na região da Grande São Paulo no final de dezembro para 42,5% no dia 10 de janeiro.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse que monitora diariamente a pandemia com base nos indicadores, principalmente de internação, avaliados em tempo real, e que identificou um aumento de 30% nas internações de leitos de UTI e enfermaria na última semana epidemiológica, sendo a maioria em leitos de enfermaria.

A secretaria disse ainda que segue com leitos exclusivos para atendimento de Covid-19, podendo realizar também atendimento de outros casos de Srag (síndrome respiratória aguda grave).

Apesar de a ômicron aparentar causar quadros mais leves, a pressão nos sistemas de saúde leva ao aumento de internações, mesmo que o número de mortes por Covid permaneça em um patamar inferior em relação às ondas anteriores da pandemia. Especialistas alertam que em média 15 dias após a subida de casos aparece também o crescimento de internações.

Segundo o secretário de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, o estado está monitorando a subida de internações e analisando quais as melhores medidas a serem tomadas para diminuir o risco de circulação dos dois vírus respiratórios, o coronavírus e influenza.

Ao ser questionado se o estado pretende abrir novos leitos, o secretário disse que não há essa perspectiva por ora. “Nós temos leitos que deixaram de ser desmobilizados [para Covid] e temos ainda milhares de leitos de UTI disponíveis, portanto, não há necessidade agora [de abertura]”, disse Gorinchteyn.

“Mas temos que entender que estamos tomando atitudes preventivas para evitar que as pessoas fiquem doentes, e a maioria das internações hoje é em leitos de enfermaria, e não de UTI.”

Para Wallace Casaca, professor de matemática e computação da Unesp e um dos coordenadores do InfoTracker, os aumentos de internações tanto em leitos de UTI quanto de enfermaria em todo o estado já estão generalizados, e a velocidade com que novos pacientes precisam de hospitalização é preocupante.

“A curva ganhou novas dimensões desde dezembro, começou a aumentar de maneira muito explosiva, com algumas regiões registrando o dobro de internados em um intervalo curto de tempo, de cinco dias”, afirmou ele.

Um dos exemplos é a região de Bauru, no oeste do estado de São Paulo. O número de internados em leitos de UTI na região no dia 3 de janeiro era de 17 pacientes, mas na última segunda (10) havia 31 internados, um aumento de 82% em sete dias.

“É claro que a gente sabe que esse aumento era previsível por causa da ômicron já ser predominante em todo o estado e com as festas de final de ano que promoveram surtos de infecções, mas o que me deixa preocupado é que essas tendências já estavam sendo verificadas em países do Hemisfério Norte e aqui em todo o estado estamos tendo um cenário parecido com o que vimos em janeiro de 2021”, disse.

Um ponto que deve jogar a favor dessa nova onda, segundo o pesquisador, é a elevada cobertura vacinal em todo o estado, o que faz com que o número de óbitos seja menor, mas a pressão no sistema de saúde permanece a mesma. “Infelizmente, esse é o cenário do estado de São Paulo hoje, e se nada for feito, pode ser que muitos desses casos levem a uma pressão nos serviços de saúde”, afirmou.

A pressão no serviço de saúde já é verificada com as filas de espera para atendimento em hospitais e UBSs na capital do estado e com a alta procura para exames de Covid.

Para Gorinchteyn, essa nova onda, apesar de ter uma subida nos atendimentos, não deve pressionar tanto o serviço de saúde porque os pacientes permanecem internados por um período de tempo menor. “O que notamos é que houve um aumento em todo o estado de casos de síndrome gripal, que une tanto pacientes com Covid quanto com gripe, mas os pacientes não são tão críticos quanto tivemos [na onda da gama], a liberação dos leitos ocorre de forma mais rápida”, afirmou.

Casaca, da Unesp, pondera: “Se o governo não tivesse perdido o tempo que perdeu para definir se a subida de casos era de Covid ou gripe, mas sim, desde então, ampliado estratégias de testagem em todo o estado e outras medidas para impedir a cadeia de transmissão do vírus, a curva de crescimento agora talvez não fosse tão íngreme.”

“É como um trem correndo ladeira abaixo e o maquinista não sabe em qual velocidade o trem está indo. Precisamos mitigar o avanço da Covid quanto antes, e infelizmente essa situação era esperada tendo em vista o que vem acontecendo em outros países”, disse.

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