Os não vacinados ficarão fora da festa

Quando criança somos convidados para aquelas festinhas de colégio. Com bolos, docinhos, salgadinhos, às vezes um palhaço para animar a turma ou, até mesmo, um buffet com recreadores. Sempre tem aqueles alunos da sala que não são convidados para a festa e ficam excluídos dos demais na segunda-feira após a comemoração. Há sempre essa separação entre os que foram convidados e os excluídos. Nunca pensei que depois de anos veria algo parecido. Porém, ao invés de crianças, são os adultos que fazem a separação entre vacinados e não vacinados.© Fornecido por IstoÉ

A nova onda de casos de Covid-19 chegou batendo recordes de números de casos e mortes na Europa. As incidências elevadas estão sendo registradas sobretudo em territórios com baixas taxas de vacinação, razão pela qual autoridades já chamam o fenômeno de “a pandemia dos não vacinados”. A Áustria decidiu neste domingo, 14, um confinamento de todos os cidadãos que não tomaram as duas doses da vacina contra a Covid-19. As pessoas afetadas pela medida não poderão sair de suas casas, com exceção para fazer compras, praticar atividades físicas ou receber atendimento médico. A quarentena dos não vacinados será aplicada a todas as pessoas com mais de 12 anos que não se vacinaram (ou que se contaminaram recentemente).

No Brasil, apesar de a grande maioria da população ter aceitado a vacinação – neste domingo, 14, foi contabilizado mais de 125 milhões de pessoas vacinadas com as duas doses ou dose única da vacina, o equivalente a quase 59% da população –, apenas dois estados conseguiram atingir a marca de 90% das pessoas totalmente vacinadas: São Paulo, com quase 93%, e Mato Grosso do Sul, com 90%. Outros três estados conseguiram vacinar 80% da população, são eles: Paraná (81,97%), Rio Grande do Sul (81,42%) e Santa Catarina (80,28%).

Ainda assim, existe uma parte da população que insiste em se negar a uma simples picada – a maioria, eleitorado do presidente Jair Bolsonaro – seja por achar que a vacina mudará o seu DNA e RNA, pelo líquido inserir um tipo de chip dentro do organismo para colher informações, ou até mesmo por poder infectar as pessoas com AIDS – todos os achismos acima são argumentos infundados feitos por negacionistas que não aceitam a simples realidade: vacinas salvam vidas e ajudam na queda de casos e mortes.

Mas o que fazer com esse pequeno, mas barulhento, contingente? Assim como nas festas de crianças, seria o caso de isolá-los e não chamá-los mais para o convívio social? Provavelmente, sim. Uma quarentena para aqueles que até o momento não respeitaram a saúde dos demais. Entretanto, precisaria ter controle e acompanhamento dessas pessoas – o que dificilmente aconteceria em um país com mais de 210 milhões de pessoas. Em alguns lugares ainda há um certo controle dos vacinados. Na Fórmula 1, no Grande Prêmio do Brasil, ocorrido neste final de semana em São Paulo, o público precisou mostrar, antes mesmo do ingresso, o certificado de vacinação. Porém, em outros lugares como algumas casas noturnas, bares, restaurantes e até mesmo academias, não há mais a necessidade nem mesmo da medição de temperatura.

Na sexta-feira, 12, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, suspendeu trechos da portaria do Governo Federal na qual determinava que empresas não poderiam exigir dos funcionários comprovante de vacinação contra a Covid-19. Com a decisão, os empregadores poderão não só exigir o comprovante de seus funcionários, como terão carta branca para demitir quem se recusar a fornecer o comprovante.

A decisão do ministro é certa, uma vez que a não vacinação de um funcionário, coloca em risco a vida e saúde de outras dezenas de pessoas que trabalham ao lado dele. Pesquisas já comprovaram que a vacinação em massa diminui os casos e as transmissões de Covid-19, logo, quem não quer se vacinar não pode, e não deve, conviver com os demais – salvo aqueles que possui contraindicações médicas.

Seja por confinamentos ou demissões, precisa sim haver um controle para os não vacinados. Se houver uma terceira onda de casos no Brasil, provavelmente a responsabilidade será deles. Se a desculpa deles é o livre-arbítrio de não se vacinarem, os vacinados também possuem o livre-arbítrio de não querer trabalhar, conviver, ou frequentar os mesmos locais que eles. Sinto muito, você foi desconvidado.

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